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ESPAÇO NIILISTA - THOR MENKENT
"... ao primeiro choro, já nascemos condenados à nossa humana abnormidade!"
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FRAGMENTOS BIOGRÁFICOS: O TEMPLO, A PASSAGEM E O RESTO PODEIS SABER DE VÓS MESMOS.

A fonte já nascera turbulenta em meio às coisas e aos catatônicos gigantes que habitavam o vazio com as espúrias gêneses de suas mentes.

Com um pouco de tempo, as águas do pequeno rio subiam confusas em suas próprias margens, inundando-lhe o estranho e imanente fulcro antes mesmos que suas próprias e ácidas chuvas começassem a cair para todo lado. Soubesse que imantações frenéticas de tantos vultos o contaminaram com fantásticas estórias de mitos, lendas e deuses avessos, talvez se revolvesse ao apagamento enquanto inconspurco, mas permitiu-se sonhar, o que viria a lhe fazer padecer de vontades impossíveis.

Devastadora revolução houve quando tudo começou a dissimetrizar nos primeiros pensamentos independentes. Era preciso compreender as verbalizações soçobradas aos ventos pelos homens que fabricavam tessituras pálidas, com seus reflexos não revelados.

O pequeno cerne aceitou em si o compêndio do qual se livravam, habitando-se entre o alvo e o púmbleo. Os mitos, as lendas e os deuses foram-se morrendo, então, um a um. Era preciso não mais lhes crer. Era preciso que se os tornasse, com as consequências de tal escolha. Era preciso arrebentar o veio cromatizado pelos verdadeiros dilapidadores de verdades, e se aceitar um cerniente e apócrifo criador de imagens.

Tornei-me, então, um assumido construtor de gêneses ursas, em abrigos de grandezas que não me eram de direito. A imaginação se queimava em qualquer parte. Primeiro, naquele pedaço de cama, ao som da barulhada confusa de falas adjacentes, como que se (ao meu redor) universos estivessem se colidindo, e das colisões surgissem outras abnormidades pseudovivas.

Minha casa já era o mundo que veria no porvir, embora não soubesse ainda. Segredo que, no silêncio meu, inaugurei (devaneado)estórias de seres estranhos, em dobras de caminhos onde a batalha continha algum vencedor que se naufragava em seu ego vitorioso. Vencer era a sentença da própria abnormidade. Um autocanibalismo invisível começava a me consumir pouco após o início da jornada com fim imprevisível, e uma angústia incompreendida começava a me embrutecer em meus recônditos convulsivos.

Mas a transformação se dava não só em casa, mas em toda parte, num enigma não desvendado: a terra se devastava em candidezes mascaradas. Homens se açoitavam com em reciprocidades verbais. Candidezes eram estupradas com cortejos alvos. Alguns pássaros-negros nasciam e morriam sem provarem dos meles e dos feles das searas férteis. Tudo feito pelo e para o Salvador, assumido em paradoxos de glórias e inglórias. Todo o Universo lhe pertencia ali naquele canto da pequena mente.

O conhecimento do mal também lhe era intrínseco e inalienável: foi o primeiro gole amargo do vinho; após, a embriaguez seria inevitável. As pelejas bravias se acabavam tal qual se principiavam. Inesperadamente. Vinham e se iam na loucura silenciosa.

Mundos construídos em momentos, até a parálise diante da descoberta - sob aquele poste que iluminava, a pouco, a rua encascalhada em meio à poeira que brotava do chão, misturada com o incenso enfumaçado do monótono movimento diário dos seres que compunham os cenários: também era nada mais que um humano abnormal, e a vida seria movida por pseudoconjecturas, entre demônios e fantasmas que se seguiriam cernientemente pelo caminho.

Adiante, inertes, moviam-se sob meu olhar recém descoberto os demais templos em sorrisos e brincadeiras. O movimento dos corpos compunham uma bela e surda sinfonia, da qual sobrariam apenas reminiscências apagadas. Delirava diante do paradoxo que acabara de descobrir, e ainda lutava para não transpor a passagem que continuava a se abrir, escorrendo cada vez mais oceanos de visões que me petrificavam.
 
Os goles vinhescos estavam ainda no início. Tornar-se-ia um ainda bêbado compulsivo. A viagem se mostraria longa e, assim como era inevitável compor mundos estranhos, era também necessário retornar a vestir a roupagem humana. No mesmo espaço onde antes surgiam imensidades de palcos onde atuava, surgia também a força do convívio, onde se acendiam os sentimentos mortais. Brinquei ali como não mais viria a brincar. Amei com uma pureza que não tardaria a se perder.

As primeiras palavras e os primeiros toques avançados trouxeram medo e sensações tão fortes que me faziam tremer o corpo. Marcariam para sempre o momento e prepararia para o assentamento da aberração. Os oásis imaginários também não tardariam a se contaminar. Fui reis, plebeus e palhaços. Fui amantes joviais. Fui estrangeiros a chegarem e a partirem. Fui os mais rejeitados, para depois ser os mais amados. Fui choros. Fui sorrisos. Olhares sem desvios. Abraços em desejos. Afagos em corpos. Passagens para camas, para paraísos e para infernos invisíveis.

Vastidão em devaneios dementes de quem não conseguia se manter acordado por tempo demasiado, tentando-se evitar o choque fatal. Alerta. Fugidio. Fortalezas criei. Impenetráveis. Conquistas e perdas coabitavam-se a todo momento. Sentimentos e intensidades: convulsões se assentavam na carne e na mente.

Uma flor teimava se soerguer entremeio à tênue luz de minha pouca razão, em meio ao seco jardim de minha casa. Algo de encanto nascia e, a pouco, seria perdido após o olhar se distrair por além das retilíneas curvas dos horizontes. E a flor, incauta e alheia à grande floresta que me havia dentro, já me surgia condenada entre espinhos e ervas daninhas que lhe iam contaminar a pureza das pétalas.

Outras fontes também apareciam entre as estrelas desordenadas, povoando os contrastes projetados para minha proteção ou poder. Da tentativa de rearranjo, novamente a contaminação e a morte do que nunca fora. O conhecimento trouxe quedas. E do conhecimento buscou-se alívio no desconhecido, atingido pela imaginação do poderoso ser forjado às imperceptíveis sombriedades: inevitáveis levitações, inevitáveis quedas. Tantas e de tal modo que se fugia a qualquer razoabilidade, daquele estado pseudovegetativo em que me tentava firmar, sem conseguir (no entanto) evitar as ruminações mentais e os acordes ressoados pelos demais sapiens que compunham ao que chamam realidade da grande cena.

Decrepitude. A passagem se estendia, cada vez mais fragilizada, sobre toda a área possível (ou não), rompendo por sobre todos os horizontes, sem em nenhum deixar de cair seus escombros. E eu me deteriorava junto com a passagem, sem ter algo qualquer em que se abarcasse, além de fracos relampejos de luz que, incapazes de se sustentarem em meu ser, apagavam-se diante de espelhos de fiéis reflexos.

Era iminente a chegada da grande noite. Fria. Pouco sobraria da fonte já nacituramente complexa, a não serem os oníricos e dementes abrigos de autodefesas, autopunições ou autogloricações.

II – Do ego

Adormecido eu sob a visão estreita do que continham os falantes professores com seus boletins e livros, incapaz de apreender do que dispunham em suas cátedras frágeis. Incapazes eles e todos de apreenderem do que eu secretamente me transformava.

Havia ali tantos monstros que era possível algum avanço por entre o que arrotavam despercebidamente. Haveria de aprender não o ensinado, mas também sobre os mitos falsificados que vestiam branco, em poses cavalheirescas. Haveria de tentar visualizar neles o que tentavam manter invisível. Estaria eu preparado para tal escolha? Feita. E de feita, germinaram as consequências.

Entre todos os observados despercebidos, a diretora não arrotava muito. Era-me, de fato, um ser estranho. A obesidade escondia um silêncio que me intensificava a vontade de entrar, o que não foi difícil. Já me habituara em espraiar minhas insalubridades verborrágicas.

- Escolha de ratos, medíocres doutores que pensam ensinar alguma coisa, mal sabendo de si mesmos. Filhas da puta!

Talvez poucos a tenham visto além daquela obesidade mórbida. Mas eu vi um canibalismo que me aliviou das penas a mim mesmo impostas: Com a frieza da postura e o olhar sombrio mostrou em suas ações a resposta a minhas incursões ao gabinete. Agradava-me descortinar a confraternização dos ilustres mestres, que tentavam moldar, às suas dissemelhanças os templos que desabrochavam. Ouvidos atentos ao que já havia efluído silente à mente alucinada. Nenhuma descoberta.

Estupros aos próprios ensinamentos surgiam verbalizados de suas entranhas. O cão da escola passou a ser visitante comum, sem que percebessem que deles se alimentava além da bela casca que os envolvia.

A pupila da obesa extravasou em reação à ação do pequeno cão raivoso com seu filho por uma disputa qualquer, antes da marcha da independência, feita todos os anos pelas ruas da cidade. Impossível não ver o cerne daquele dragão que cuspia e aprender sobre a inevitabilidade da ira daquela gente estranha.

Meninos não têm tanta maldade: a primeira lição, à qual saboreei silenciosamente depois, de frente ao mundo que eu queria compreender. Esbravejou e espancou sob os olhares de seus comuns.

O espancamento foi aceito em meio ao medo que aprenderia a controlar posteriormente, assim como a exposição obrigatória em frente ao pelotão, humilhado, sem que ela percebesse que também alimentava a força interna que tentaria consumir o mundo em seus secretos esconderijos, e que disso enfrentaria os gigantes do porvir.

E tantos e de tantas formas que nada mais, nada menos a olhar do que apenas sentir o rio com destroços que foram alimentando um poder sombrio que devoraria da própria carne, cuspindo nas redondezas.

Ferro e fogo. Mentalmente invisível em todas as suas composições.

Crescia o monstro assim. Haveria a hora certa de engolir moscas, já premeditado pela mente ainda não ampla para absorver o conjunto, mas tão somente as partes dele. E não tardaria que viesse a fatalidade: confrontaria gigantes e pairaria, certo ou não, sobre eles.

Fortalecia-se o ego quanto mais me abrigava em meus esconderijos. Poder-se-iam saber o quanto praguejei ou amei? Ou como se constituí as cousas somente para meu agrado ou um lugar onde expurgar entranhas?

Do ego fortalecido a vontade de violar. De sobrepor-se. Filosoficamente ruminava em busca de conhecimentos para ter um olhar panorâmico. O ego do monstro, outrora mascarado, começava a se sobrepor em leituras diversificadas e ainda não compreendidas pelos que se sentiam preparados.

 
A comunialidade não atraía. A visão devia estar em pontos diferentes e horizontes vastos. A Cosmologia foi o primeiro porte. Seguiram-se as ciências e a matemática. A língua-mãe de certo deveria ser dominada também tão somente para desmascarar letrados. A filosofia veio mais tarde e contendo meus maiores opositores. A fé teve seu ápice para morrer em seguida, como tudo no qualquer em que me transformava.
Péricles Alves de Oliveira (Thor Menkent)
Enviado por Péricles Alves de Oliveira (Thor Menkent) em 27/12/2015
Alterado em 28/12/2015
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